sábado, 28 de março de 2009

CALYPSO VEST 2009



A cantora - e agora empresária do mundo fashion, - Joelma, da banda Calypso, lançou nesta terça-feira, 26, a primeira coleção da grife Calypso Vest, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O jantar intimista reuniu músicos paraenses, imprensa, empresários e fãs, que conheceram em primeira mão 15 modelos de roupas para vestuário feminino e masculino, além de muitas bijuterias com o selo de qualidade da banda.“Tudo o que é nosso é amazônico”. Assim a cantora definiu a linha da marca, que possui tanto referências da região no material utilizado - sementes, fibras e escamas de peixe - como na própria concepção. Com uma fábrica em Almerim, interior do Estado e terra natal de Joelma, a Calypso Vest emprega mais de 40 pessoas da área e realiza o sonho antigo da paraense. "Nunca imaginei ter uma grife, mas desde os 14 anos via meu povo sem emprego e expectativa. Essa foi a maneira que encontrei de ajudar”, explica.O investimento aplicado no projeto construiu uma fábrica equipada com máquinas de bordar, estamparia, curso de capacitação para os funcionários com instrutores de Fortaleza e fornecedores de tecido de Goiás e Recife. É uma ação que prevê emprego, renda e profissionalização. Joelma também conta com parceiros e amigos, como Marcos Brandão, estilista da cantora, Jander Cabral, designer, e Natália Mendes, filha e gerente do novo negócio da família.A cantora recebeu os convidados com uma roupa exclusiva da marca. Um vestido azul, com pedaços em chita, pulseiras e brincos de penas, sempre com uma guitarra ou bota no detalhe - a logomarca que remete a Chimbinha e a esposa. Entre os presentes, o casal recebeu elogios da ex-bbb Mirla Prado. “Admiro a iniciativa deles em promover emprego e nunca esquecer o Pará”, parabeniza a bigsister paraense. O futuro da marca já é próspero, mesmo com o lançamento recente e com apenas dois anos de projeto. Joelma confessa receber constantes propostas para levar a franquia da Calypso Vest para todos os Estados do país. "Eu vou para onde Deus me levar, mas prefiro ir com calma na expansão da marca. Por enquanto, vamos ficar com duas lojas em Belém”, explicou a cantora, que realizou o lançamento após a inauguração da primeira loja no térreo do Shopping Pátio Belém e ainda aguarda a inauguração no shopping Castanheira.Um dos motivos em assumir cautela no novo empreendimento é a vida agitada em cima dos palcos. Neste momento a banda Calypso está iniciando uma turnê pelos Estados Unidos, Europa, África e Japão, o que demandará ainda mais tempo e dedicação do grupo nas turnês mundiais.O desfile de moda terminou com um jantar em homenagem à Amazônia, com comidas típicas paraenses, músicas regionais e decoração alusiva. O lançamento terminou com o sucesso da marca. “Este evento era pra ser algo pequeno, mas se transformou neste encontro belo, neste lugar lindo. Estou muito feliz”, completou Joelma.Texto: Elianna HomobonoFoto: Jaime SouzzaEdição: Esperança BessaDepartamento de Comunicação do HangarCentro de Convenções e Feiras da Amazônia
Fonte: Hangar

domingo, 22 de março de 2009

AGENDA DE MARÇO E ABRIL 2009

AGENDA DE MARÇO E ABRIL DE 2009!
27/03 - COSTA DO SAUIPE-BA
28/03 - MACAIBA-RN
28/03 - NATAL - RN
03/04 - PRAIA GRANDE - SP
04/04 - OSASCO - SP
04/04 - SAO PAULO - SP
17/04 - RIO DE JANEIRO - RJ
18/04 - SAO PAULO - SP
22/04 - MAUA - SP
25/04 - SALVADOR - BA

CONTINUACAO DA TRIP 9 PARTE E FINAL




A Joelma é admirada por muitas pessoas, desejada por muitos homens. É difícil ser casado com uma musa?O público tem um respeito grande pela gente, por saber que a gente é casado. Nunca ninguém faz gracinha com a Joelma quando ela tá no palco. E ninguém faz comigo.O pior momento da banda foi a queda do avião?Nós passamos alguns momentos difíceis. Você sabe. trabalhar com o ser humano é complicado. A gente tem dois, três dias de folga por semana. Aí os meninos da banda estão livres para fazer qualquer coisa. Numa dessas folgas, em 2006, o pessoal começou a beber, e um dançarino da banda caiu da sacada de um hotel e faleceu. Aquele momento foi muito triste. A gente estava indo pros Estados Unidos fazer o Brazilian Day e tinha o compromisso de tirar o visto. Não deu para ir ao enterro dele. Aí alguns desses programas de fofoca na TV ficaram a semana toda condenando a gente. E depois o outro momento difícil foi a história do avião. Foi pesadíssimo. Perdi dois amigos, dois funcionários. O produtor que morreu era meu braço direito, vivia 24 horas comigo. Eu fiquei arrasado. Até hoje não consigo falar. Nós tivemos que refazer a casa das pessoas onde caiu o avião. Eu não quis esperar a perícia. Falei: “Vamos ajeitar logo, imagina ficar sem casa”.Você é religioso?Eu creio muito em Deus. Eu ia muito à igreja evangélica. Agora com o trabalho fico até sem tempo, então a gente faz nossos cultos aqui em casa. Tem uns irmãos que oram com a gente, de vez em quando vêm uns pastores. Você viveu muito na noite. Nunca experimentou drogas?Não, porque eu andava com pessoas muito humildes. Além de não terem condição de comprar, eram Pessoas com família de base muito religiosa. Quase todo mundo que tocava comigo era evangélico. E na Banda Calypso também é assim até hoje. Não tinha espaço pra droga. Eu fui beber depois dos 20 anos. Tomar cerveja, uísque. Mas depois parei com isso, só tomo vinho. Foi o médico que me receitou, e eu acabei gostando.


Você se considera um guitar hero?Não. Eu nem me considero um bom músico. Não estudei. Toco muito de ouvido. Quando vou gravar e o pessoal fica lendo partitura, fico com muita vergonha. Todo mundo com seus arranjos, e eu vou criando a levada na hora. Só sei ler cifra. Vou cifrando ou escuto de primeira e de segunda já vou gravando.O estúdio é o lugar onde você se sente mais realizado?Quando eu estou no estúdio, esqueço de tudo. Desligo o telefone e me concentro mesmo. Quando estou aqui fora, é funcionário que te colocou na Justiça, a música que não está tocando, a carreta que não saiucom o equipamento. No estúdio parece que não existem problemas. Pode estar o mundo se acabando que eu estou em paz.CHIMBINHA É.Reportagem de Caio Ferretti“Um guitarrista virtuoso em termos técnicos e que não mergulhou nos clichês que a guitarra elétrica oferece. Ele conseguiu trazer o instrumento para um outro ambiente, um estilo mais popular, natural e funcional. Incorporou elementos saborosos de questões caribenhas e africanas que fazem você traçarum mapa cultural mais colorido da música.”HERBERT VIANNA, GUITARRISTA“Eu não faço a menor ideia de quem seja esse cara. O que eles tocam? Axé?” EDGARD SCANDURRA, GUITARRISTA“Ele é um representante dos guitar heroes no Brasil. Ele trouxe para o pop brasileiro um estilo único. No Brasil a guitarra vem muito do violão, do cavaquinho, do bandolim. Já o estilo do Chimbinha não vem do Jorge Ben, do João Gilberto, nem do violão.”KASSIN, MÚSICO E PRODUTOR“Eu admiro muito o Chimbinha. Ele trouxe aquela guitarra que tinha no carimbó, na música da América Central, uma coisa amazônica. Ele influenciou vários guitarristas nordestinos. Se você for lá pro Norte vocêvai ver um monte de Chimbinhas. A Joelma também tem um carisma enorme. Mas ela serve o prato e ele faz a comida.”ROBERTINHO DE RECIFE, GUITARRISTA


“Ele é um guitarrista bem foda, um guitarrista clássico da ‘guitarrada’. Tem personalidade, mas não é um inovador. Como ele, tem vários caras no Pará que tocam desse jeito. É como se você falasse que o maracatu foi uma coisa inovadora na época do manguebit. ”FERNANDO CATATAU, GUITARRISTA“Um dos maiores guitarristas da história da música brasileira, tanto em habilidade quanto em criatividade. Ele trabalha com um gênero renegado pela cúpula da inteligência, mas leva pro povo algo que eles recebem muito pouco: uma boa música no sentido de ter o instrumento bem tocado. É um dos artistas mais completos do Brasil.”CARLOS EDUARDO MIRANDA, PRODUTOR. FIM...

CONTINUACAO DA TRIP 8 PARTE


Em uma pesquisa recente do Datafolha, a Banda Calypso foi apontada como a banda mais popular do Brasil, na frente de Zezé di Camargo e Luciano. Como vocês receberam essa notícia?Primeiro ligou o rapaz da Folha de S.Paulo dizendo que queria fazer uma matéria com a gente. Daí eu me perguntei: “Será que isso aí é uma pegadinha?”. Eu falei pro repórter: “Tô gravando agora, daqui a pouco eu ligo pra você”. Em seguida me telefona o Zezé e diz: “Chimbinha, você é o artista mais populardo Brasil, e eu tô colado em ti!”. Aí vi que era verdade. Quando o cara ligou de volta, dei a entrevista, porque já tinha garantia.Eu li que seus melhores amigos na música são Zezé di Camardo, Leonardo e Bruno (do Bruno & Marrone). Você se identifica com essas figuras que saíram do nada e ascenderam socialmente pela música?É a mesma história, a mesma conversa. A gente fala das coisas da roça, da época de baile, brincamos, fazemos piada. Isso é que é bom. Não fomos criados em berço de ouro. Não temos aquela viagem. Às vezes, quando o cara é de um nível social diferente, com um conhecimento diferente do meu, ele ficaviajando, e a conversa não bate.Você acha que eles falam de cima para baixo?Eles querem ser diferentes da gente, superiores. Mas com esses meus amigos é o mesmo padrão, o mesmo nível, a mesma linguagem. Todos somos felizes com o que aconteceu nas nossas carreiras, agradecemos muito a Deus.Além da fama, o sucesso trouxe bastante dinheiro. Vocês têm casas em Alphaville, Belém, Recife. Têm fazenda, já tiveram avião. Como você lida com esse dinheiro que entra?Do dinheiro que a gente ganha, metade ou mais é para reinvestir no trabalho. A gente tem hoje um bom ônibus para transportar a banda e vários cenários para apresentar um show bonito. O dinheiro também é para cuidar da nossa família e ajudar algumas pessoas que a gente acha que merecem. Nós temos um trabalho social, mas não gostamos de divulgar.

No mês passado, surgiu uma história curiosa na Internet, dizendo que vocês foram recomendados para o Nobel da Paz.Nós não fomos informados disso. Fui saber aqui em Belém. Ligou um cara para nosso escritório se dizendo bispo, querendo indicar a gente como embaixadores da paz. Não era o Nobel, mas de repente virou isso. Mandei o nosso pessoal investigar quem é o cara. Pode ser que estejam querendo usar o nome da banda, porque ele tá querendo comprar nosso show no Mangueirão. Acho que é uma roubada. O cara deve estar se passando por bispo para comprar nosso show mais barato.Você acha que seus filhos, que vivem com todo o conforto, vão valorizar o que eles têm hoje tanto quanto vocês?A gente sempre conversa com eles, mostrando como a gente era antes e o que Deus está nos Proporcionando hoje. Eu espero que eles deem valor, porque foi tão difícil chegar, e é ainda mais difícil se manter.Você imagina o Calypso durando quanto tempo?Enquanto eu tiver vida, enquanto eu estiver neste mundo.O Calypso depende da dupla Chimbinha e Joelma. Se algum dia o casamento terminar, a banda acaba?Nunca pensei nisso. Nem é bom pensar. Nós nunca brigamos. Eu sou muito calmo. Quando tem uma discussão, eu saio. Quando volto, está tudo calmo. Nos momentos em que a banda passa por uma situação difícil, como quando caiu nosso avião [em novembro passado, matando o produtor e o piloto da banda], um dá força para o outro. Se um dia, Deus nos livre, acontecer alguma coisa, a banda vai passar algumadificuldade, mas não vai acabar não, porque a gente ama a banda. Ela é a nossa vida, tanto a minha quanto a dela. É uma missão. E nosso trabalho ajuda muita gente. Minha família precisa da banda, a família dela também. Só se for uma coisa muito grave mesmo, o que é difícil acontecer. Eu vivo pra Joelma, ela vive pra mim, e a gente vive pra banda.

CONTINUACAO DA TRIP 7 PARTE




O Calypso vai usar também?Não sei. Se fecharem as lojas todas, vamos ter que fazer isso.A crise atingiu o Calypso?A gente tá trabalhando menos porque nós quisemos. Nasceu a Yasmin, meu filho precisa muito de mim nesse momento, porque tá entrando na adolescência. A gente precisa viver mais um pouco. Antes a gentefazia 25 shows por mês, hoje a gente faz 16. Ainda é muita coisa. A gente toca de quinta a domingo, toda semana. Tem terça e quarta para resolver as coisas da banda e outros negócios. A Joelma tem loja de roupa, fábrica de roupa. Eu tenho uma pequena fazenda no Pará, onde estou criando gado.Vocês começaram a estourar no começo do anos 2000, mas só chegaram à TV há uns três anos. Por quê?Eu não queria nem fazer televisão no começo, eu queria era mostrar a cara da banda. Quando nós estouramos, todo mundo conhecia nosso som, mas ninguém conhecia minha imagem ou a da Joelma. Aí começaram a surgir bandas piratas se passando por nós. Às vezes me ligavam e diziam: “Hoje tem showde vocês aqui em Goiânia!”. Eu dizia: “Não, meu amigo, estou com show marcado hoje em Pernambuco”. E o cara: “Mas eu estou vendo a faixa de vocês, o nome de vocês”. Aí eu ia lá ver e era uma banda se passando por nós, com uma loira e um rapaz na guitarra. Daí a Joelma falou: ou a gente vai para a televisão ou tem que criar uma marca. Deixa eu pintar uma coisa aqui no teu cabelo, como o Pepeu Gomes fez no começo da carreira.Então foi ela quem inventou a famosa mecha loira?É. Mas eu não gostava daquilo de jeito nenhum. Fiquei uns seis anos com a mecha, injuriado. O pessoal falava: a Banda Calypso é aquela com o menino da mechinha. Mas não teve jeito: os outros fizeram, virou moda. E não resolveu. Então falamos: “Agora temos que ir pra TV”. Mas, rapaz, foi difícil chegar. Fizemos dois programas do Raul Gil, mas não foi o suficiente. Quando lançamos o terceiro disco, fomos convidados várias vezes para o programa do Gilberto Barros na Bandeirantes. Daí o povo começou a conhecer nossa imagem no Brasil.

Depois de um tempo fomos convidados para fazer o Faustão. Eu me emocionei muito, porque a gente já tinha vendido mais de 5 milhões de cópias e ainda não tinha ganhado disco de ouro, dediamante. Aí a fábrica que prensou os discos fez uma homenagem pra gente no Faustão.Vocês precisaram vender 5 milhões de cópias para serem notados pela TV?É, fizemos dois anos de Gilberto Barros até sermos chamados pelo Faustão. Fomos chamados pela Globo quando vendemos 600 mil cópias de DVD e 1,2 milhão de CDs em um só mês.Foi preconceito que a banda sofreu?Sofre até hoje.O preconceito vem da chamada elite intelectual, que rotula vocês de brega?É isso. Tudo no Brasil que atinge a massa, que mexe com o povão, que leva a multidão, é brega para essa turma que se diz elite, mas queria estar no nosso lugar. Não é nem odiar, é ter inveja do trabalho, porque não conseguiu chegar lá.Você fica chateado quando os críticos dizem que a música do Calypso é de má qualidade?Nunca ninguém falou isso na minha cara. Se falarem, eu vou respeitar a opinião do cara. Tem muita coisa de que eu não gosto, mas tiro o chapéu. Não gosto de metal nem de tecnobrega. O sujeito faz um jingle no computador falando o nome de sua aparelhagem e toca nas próprias festas, nos carros de som, aluga rádio pra tocar também. Deixaram de tocar a gente. Eu não curto muito esse som de coisas eletrônicas. Gosto de música com instrumentos. No tecnobrega, o jingle virou a própria música. Mas eles fazem sucesso, e o sucesso tem que ser respeitado.

CONTINUACAO DA TRIP 6 PARTE


Você está falando das rádios. Mas antes disso você deve ter batido à porta de muitas gravadoras para lançar o disco, né?É, esse disco eu mandei pra muita gravadora. Quando a banda estourou, eu fui numa gravadora famosa de São Paulo. O diretor me perguntou: “Por que você não me mandou um disco desses para eu lançar?”.Eu respondi: “Eu mandei, procura aí que chegou em outubro de 99”. A secretária foi pesquisar e viu que tava lá o disco. Não era pra ser. Se eu tivesse lançado o disco com uma gravadora, não teria dado tão certo, porque tem artista com mais prioridade, eles não iriam trabalhar tão bem.O cara da gravadora deve ter se arrependido, porque perdeu muito dinheiro.Muitos se arrependeram. Eles já me falaram. Agora tenho amigos nas gravadoras. E acho que tá difícil hoje a gravadora sobreviver com essa pirataria. A gente mesmo, que é independente e não tem tanto investimento quanto uma gravadora, já está sofrendo. Antigamente a gente tirava tudo da venda do CD, hoje tira do show. A gravadora ainda paga produtor musical, um cara para escolher repertório, outro para fazer arranjo, paga a divulgação. Então as gravadoras foram muito prejudicadas. Se não tomarem uma medida contra a pirataria, eu não sei aonde isso vai chegar.Mas a piataria não ajudou a divulgar a Banda Calypso no começo?Olha, é difícil falar mal da pirataria porque eu fui ajudado por ela. Mas no nosso começo não existia essa pirataria de internet que tem hoje, de baixar música de graça. Na época a pirataria era só de CD. Isso ajudou bastante a gente. Mas hoje a gente lança o disco, amanhã tão baixando. Atrapalha as vendas. As pessoas não sabem o quanto a gente investe, mesmo sendo independente. Para vender por R$ 9,99 para o consumidor final, temos que vender para a distribuidora por um preço muito mais barato. Temos que pagar os direitos autorais dos compositores, os músicos, o estúdio, a arte. Hoje nós temos mais de 200 funcionários, temos que funcionar como uma gravadora e cuidar da divulgação.

Tudo dessa parte quem administra sou eu. Então todo o dia fico falando em três telefones. Quando tá difícil tocar em todas as rádios, eu sofro muito. Aí eu vou visitar o diretor da rádio, peço uma força, volto outro dia. Até que eu consigo.Isso até hoje?Hoje é que eu faço mais. Depois de vender 12 milhões de discos?Agora é que é a hora. Há alguns anos, o povo tinha que tocar Calypso porque tava fervendo mesmo. Hoje, tem rádio que não toca. Muita gente diz que a Banda Calypso inventou um novo modelo de negócio, com essa história de não ter gravadora, de vender disco em show ou em supermercado, de fazer distribuição via camelôs. Esse esquema foi ideia sua?Foi uma ideia da necessidade. Eu não parei para bolar. Fui fazendo. Como não tinha gravadora, era a gente que fazia a distribuição no começo. A Joelma ficava no telefone tirando os pedidos. Eu ia no correio e mandava pro Brasil todo. Começou assim.Esse modelo acabou sendo imitado por muitas bandas, principalmente aqui no Pará, não é?A maioria dos artistas daqui faz isso. Hoje não existe gravadora no Norte e no Nordeste, só no Rio e em São Paulo. Então tivemos que fazer isso aqui para viver de música, porque as gravadoras foram embora daqui. E, se continuar desse jeito, elas vão embora do Brasil.Você soube que um jornalista americano chamado Chris Anderson, editor da revista Wired, citou a Banda Calypso no livro Free!, sobre a economia gratuita?Nunca ouvi falar. Mas que coisa boa. É muito bom esse modelo. Acho que os artistas mais conhecidos também podiam fazer, como Zezé di Camargo, a turma da MPB. Na hora em que um deles de nome entrar, vai dar uma força para a gente continuar mais alguns anos com esse modelo.

CONTINUACAO DA TRIP 5 PARTE


Quer dizer, é uma mistura de muitos ritmos que a gente chama de calipso. Vamos completar dez anos de banda, e a gente mesmo não sabe qual é o som que a gente tira. Mas quais ritmos você identifica no som da banda?A gente usa um pouco do carimbó, lambada, merengue, cacicó, zouk e até uma pitada do calipso caribenho. Tem uma percussão meio afro. Eu não sabia o que era o kuduro. Quando eu fui para Angola tocar, ouvi o ritmo e disse: “A gente toca isso desde criança. O Calypso toca sem conhecer”. A gente também vai muito em cima do rock, a caixa do twist com uma guitarra do chacundum, outra guitarra de reggae, outra de funk. Coloco sempre duas, três, quatro guitarras em cada música. Quando a gente vê a soma, tá um som legal pra caramba.E onde que entra a guitarrada? É influência também?É sim. Foi o mestre Vieira quem inventou. Ele pegava a música caribenha e solava a melodia com a guitarra no lugar da voz. Ouvi muito ele. Também sou fã do Aldo Sena. Era meu mestre e depois virou parceiro. Mas minha guitarra também tem outras influências, como o Renato, dos Blue Caps, e o guitarrista que acompanhava o Roy Orbinson. Misturei tudo isso e botei a minha pegada.E o processo de conquista da Joelma, como é que foi?Quando vi a Joelma pela primeira vez, eu não falei com ela. Era muito tímido. Eu pensei: “Será que ela é uma pessoa boçal? Eu não vou falar nada para ela não me tratar mal”. Passei reto. Depois ela disse que pensou a mesma coisa de mim: “É muito boçal, nem fala direito com a gente!”. Aí o Kim convidou a gente para almoçar um camarão com açaí num restaurante aqui de Belém. Ele saiu para atender o telefone, eu fiquei na mesa sozinho com a Joelma, e ela começou a conversar comigo. Quando fui levá-la em casa, ela me convidou para fazer o repertório do disco. Eu morava longe demais, e o ônibus ia só até nove da noite. Se perdesse, era só no outro dia às seis da manhã. Eu acabei dormindo na casa dela e fui ficando. Quando vi já tava junto. Foi assim que aconteceu.E estamos juntos até hoje, graças a Deus.

Em Belém existem as rádios de poste, que ficam tocando música em alto-falantes na rua. Eu ouvi dizer que elas foram muito importantes para vocês no começo da carreira. Como foi essa história? Eu me emociono quando me lembro disso. Esses dias agora andando em Belém. passei numa rua e comecei a chorar. De felicidade, de alegria, mas também daquele sofrimento que eu passei no começo. A gente morava na Cidade Velha, num quartinho de quatro por quatro, só tinha uma cama e um fogão. Quando a gente lançou o primeiro disco, eu falei: tenho que parar de gravar como músico de estúdio para divulgar esse CD. Eu saía de casa cedo, às sete da manhã. Não tinha dinheiro pra comer, passava o dia tomando água. Também não tinha dinheiro para pegar ônibus, então ia a pé para as rádios. Se você visse as distâncias, ia ter pena de mim [risos]. Mas não tinha como eles tocarem a gente. Porque, pra tocar numa rádio, ou você está muito estourado ou então você tem que fazer promoção. Pagar jabá?Não chegava a ser jabá, porque não tinha grana. Era armar uma promoção com o diretor da rádio, por exemplo comprar mil camisetas pra sortear. Mas eu estava sempre liso. Não sabia mais o que fazer. Um dia, quando eu ia para casa, eu escutei essas rádios de poste tocando música. Aí tive um estalo. Passeia divulgar nosso disco nessas rádios. Daí a cidade todinha começou a tocar a Banda Calypso nos postes.Em menos de três meses, estavam todas as rádios normais tocando também. Porque as pessoas que ouviam no poste ligavam e pediam nossa música. Eu distribuí de graça 50 mil CDs do nosso primeiro disco, para loja, carro de som, rádio de poste, pro público. Aí a banda estourou no primeiro disco. A gente fazia show e não ficava com o dinheiro. Sobravam R$ 2, 3, 4 mil por semana, a gente fazia CD e dava pro povo.Você está falando das rádios. Mas antes disso você deve ter batido à porta de muitas gravadoras para lançar o disco, né?É, esse disco eu mandei pra muita gravadora. Quando a banda estourou, eu fui numa gravadora famosa de São Paulo.